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10/05/2016 13:32 Em destaque Newsletter Notícias

Entrevista com infectologista referência esclarece dúvidas sobre a H1N1

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Entrevista com infectologista referência esclarece dúvidas sobre a H1N1

Diante da preocupação existente quanto a ausência da vacina H1N1 nos laboratórios particulares de Salvador e interior, a Associação do Ministério Público do Estado da Bahia (Ampeb) entrevistou o médico infectologista *Claudilson Bastos para esclarecer as dúvidas quanto à doença e formas de prevenção. Com atuação em consultórios e hospitais, especialista em doenças infecciosas e infectocontagiosas, o médico fala sobre as formas de contágio e afirma que a população não precisa entrar em pânico enquanto não tomar a vacina, mas, sim, tomar alguns cuidados.

Ampeb – O que é a H1N1?

Claudilson – É um subtipo do vírus Influenza, que é o vírus da gripe. A influenza é sazonal, ou seja, aparece de épocas em épocas. Existem vários outros subtipos de Influenza: Influenza A, H1N1, H3N2 e outros que acometem tanto animais como seres humanos, e Influenza B e Influenza C que são as características morfológicas, fenotípicas desses vírus.

Ampeb – O que propicia o aparecimento do vírus?

Claudilson – O que propicia são os fatores climáticos e ambientais, justamente na época de inverno, onde tem maior aglomeração de pessoas, principalmente em ambientes fechados. Estas são situações que facilitam o contágio.

Ampeb – Por que as pessoas estão tão assustadas? Essa doença é realmente perigosa?

Claudilson – Ela, obviamente, se não tratada corretamente, pode se tornar perigosa, mas em situações específicas. Por exemplo: crianças, idosos, pessoas com comorbidades, que possuem algumas doenças, pneumopatas, cardiopatas (pessoas com problemas cardíacos), diabéticos. Essas pessoas que já têm predisposição é que podem ter um quadro que leve para uma situação de maior gravidade. A gravidade da H1N1 seria a evolução da doença para uma infecção respiratória baixa, ou seja, Pneumonia.

Ampeb – Quais os sintomas? Qual a diferença para uma gripe comum?

Claudilson – Os sintomas da H1N1 são mais exacerbados. A febre é maior, as dores musculares são mais intensas, cefaleia (dor de cabeça), coriza. São sintomas mais exacerbados, diferente de um resfriado, por exemplo, que tem sintomas mais leves.

Ampeb – É necessária essa correria aos laboratórios e postos de saúde?

Claudilson – O Brasil tinha organizado a demanda da vacinação de forma tranquila, porém houve uma antecipação devido ao aparecimento do vírus antes do período esperado. Por isso a correria. As pessoas não precisam ficar em pânico, pois sabemos que ela é sazonal, todo ano aparece. É bom se precaver, mas não precisa entrar em pânico.

Ampeb – Devido à grande procura, muitos laboratórios não têm recebido a vacina. Deste modo, o que fazer para evitar a doença?

Claudilson – Existem formas para minimizar os riscos. Por exemplo, não tossir e espirrar na frente de outras pessoas, nem direcionado a elas, nem colocar as mãos na frente do nariz e boca, pois as mãos tornam-se meio de transmissão. Usar água e sabão e álcool em gel, caso não seja possível lavar as mãos no momento. Evitar ambientes fechados e grande aglomeração de pessoas no período de contágio.

Ampeb – Após a vacinação, em quanto tempo a pessoa está imunizada?

Claudilson – Geralmente, dez dias, em média, após a vacina.

Ampeb – Existe a trivalente e a quadrivalente. De quais doenças cada uma delas protege?

Claudilson – A trivalente, que é a recomendada pelo Ministério da Saúde, abarca os vírus, os sorotipos do hemisfério sul. Existe uma cobertura quadrivalente para um subtipo que acomete outras regiões, como a Ásia. Então, se você viaja para este local, a quadrivalente seria mais adequada. Também é prudente que aqueles que viajam para a Europa e Estados Unidos tomem a tetravalente. De modo geral, no Brasil, só tem os três subtipos e não os quatro.

*Dr. Claudilson é consultor do Laboratório Sabin, atende no Hospital Couto Maia, Hospital Sagrada Família e em sua Clínica CEMI.

Ascom/Ampeb

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