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24/10/2022 16:49 Em destaque Notícias

Outubro Rosa: Postura positiva ajudou promotora de Justiça a enfrentar o câncer de mama

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Outubro Rosa: Postura positiva ajudou promotora de Justiça a enfrentar o câncer de mama

Durante um banho, em fevereiro de 2018, a promotora de Justiça do MP-BA Rita Tourinho sentiu algo estranho em sua mama enquanto fazia um autoexame. Em seguida, passou por exames que confirmaram o câncer de mama e foi submetida a uma cirurgia para a retirada do tumor. Depois, passou por sessões de quimioterapia e radioterapia. Ao finalizar o protocolo de tratamento, apenas precisou manter por cinco anos a ingestão de um inibidor de hormônios e o acompanhamento médico. Algo que a promotora nunca perdeu durante todo esse tempo foi a disposição em se manter viva.

“Eu sempre tive uma postura muito positiva [diante da doença], não mudei meus hábitos de vida. Sempre fiz muita atividade física e continuei correndo. Também continuei trabalhando do mesmo jeito, não me afastei do Ministério Público ou da UFBA, fiz todo o tratamento de quimio trabalhando normalmente, só me afastei alguns dias para a radioterapia porque era todo dia e muito longe […] O problema tem a dimensão que você confere. Então, é importante tentar levar a sua vida normal e lembrar que, na vida, tudo passa”, contou Rita, nesta segunda-feira (24), durante a roda de conversa sobre o Outubro Rosa, promovida pela AMPEB.

A promotora de Justiça lembrou ainda que, apesar de inicialmente ter sido um choque descobrir que estava com câncer de mama, focou nas novas técnicas medicinais para a cura da doença. “Hoje em dia as coisas evoluíram bastante e não necessariamente as pessoas vão morrer por causa de um câncer. É claro que, quanto mais precoce o diagnóstico, melhor para o tratamento. Então, é importante essa campanha que a AMPEB fez para que as pessoas tenham essa consciência da necessidade dessa atuação preventiva, para evitar maiores problemas”, acrescentou.

De acordo com a mastologista Gabriela Arruda, quando um câncer de mama é diagnosticado no estágio inicial, a porcentagem de cura é acima de 95%. Então, é crucial que mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem qualquer sintoma ou sinal, façam anualmente a mamografia.

“O autoexame não é algo que é preconizado para o diagnóstico precoce do câncer de mama. O diagnóstico precoce com a mamografia associada à ultrassonografia, muitas vezes, muda o curso da doença porque a gente pode identificar tumores pequenos e isso altera a sobrevida dessas mulheres. Já o autoexame é valorizado no sentido de autoconhecimento mesmo. Essas mulheres terão um conhecimento mais adequado de seu corpo e terão a oportunidade de identificar qualquer achado que as façam procurar um mastologista”, distinguiu a médica.

Sinais e sintomas

A mastologista alertou que, além do rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos, as mulheres, mesmo antes desta idade, devem ficar atentas aos seguintes sinais: nódulos nas mamas; retração na mama; lesões que não cicatrizam no mamilo; saída de secreção sanguinolenta ou em água de rocha (transparente); nódulos na axila.

“Tudo isso são fatores que nos chamam atenção para o câncer de mama. É importante lembrar que o câncer de mama tem uma tendência de, quando ele vai sair da mama, sai pelos vasos linfáticos, pelos gânglios da axila, o que a gente costuma chamar de íngua. O câncer de mama é o câncer que mais mata as mulheres no Brasil e no mundo. É o mais frequente também, tirando o câncer de pele. Essa é a importância de estarmos tratando de prevenção. Os tumores menores são mais passíveis de tratamento”, completou Gabriela.

O auxílio da psicoterapia no tratamento

Durante a roda de conversa, que aconteceu na sede da AMPEB, o psicólogo da entidade, Rafael Batista, destacou que o acompanhamento psicológico durante o processo da doença é muito importante para fornecer estratégias de enfrentamento que ajudem a paciente a lidar com os problemas e a evitar crises de ansiedade e de depressão, por exemplo.

“O psicólogo é o profissional indicado para orientar a paciente a desenvolver um novo repertório de vida, de enfrentamento, a aumentar as habilidades sociais, a auxiliar a família no tratamento dessa pessoa, a lidar com a doença em si. Esse auxílio surtirá um efeito muito positivo durante o tratamento”, apontou Batista.

O presidente da AMPEB, Adriano Assis, explicou que a associação tem investido em eventos para discutir temas sensíveis, como câncer de mama e prevenção ao suicídio, por exemplo, para que os associados estejam sempre bem informados e tratem de forma natural assuntos que ainda são vistos como tabus por grande parte da sociedade.

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