“A razão do Júri consiste na própria alma da democracia. Sociedade julgando a própria sociedade”, Aviner Rocha Santos
“Banalizou-se a vida, coisificou-se a existência. Estamos anestesiados em nossa capacidade de nos sentirmos indignados. Só resta às famílias vitimadas, após o perdimento de um dos seus, a esperança de uma punição real para o acusado, pena do recrudescimento do interesse pela vingança particular”.
Foi com esse sentimento que os promotores de Justiça do MP-BA Áviner Rocha Santos, Igor Miranda, Fábio Guimarães e Rildo Mendes de Carvalho, implementaram o projeto “Mutirão de Júris”, que teve início no mês de novembro, e realizou, em toda regional de Irecê, 25 júris.
De acordo com Aviner, que ingressou no MP-BA em março deste ano, essa experiência mostrou, principalmente, que o Ministério Público é mais forte quando se somam esforços e que um promotor de Justiça consciente do seu papel de agente de transformação social pode levar mudanças significativas para a sociedade. “E não só trazendo justiça em casos de violação da vida,
mas também trabalhando com a prevenção, afastando os adolescentes do sentimento de impunidade, do caminho da prática de atos infracionais (e futuramente de crimes) e, sobretudo, do tráfico de drogas”, completa.
Para realizar o mutirão, foi necessário aproximar o adolescente do Tribunal de Júri. Para isso, foram convocadas diversas escolas da região para presenciarem as sessões de julgamento. “Mostramos para toda sociedade da regional de Irecê que a razão do Júri consiste na própria alma da democracia. Sociedade julgando a própria sociedade”, disse o promotor
De iniciativa do Comitê Interinstitucional de Segurança Pública (CISP), em parceria com o Judiciário, o mutirão tem o objetivo de diminuir o número de processos pendentes de julgamento, além de aproximar o Tribunal do Júri dos adolescentes, como forma de demonstrar o funcionamento do Poder Judiciário e de prevenir o cometimento de atos infracionais.
“Estivemos imbuídos do propósito que sempre orientaram nossas ações nesse ainda curto período na regional de Irecê, o de servir, e servir dando a nossa contribuição para uma sociedade mais justa, pois fazer justiça é o que importa, não a nomenclatura ou a atribuição do cargo que eu/você eventualmente exerça”, completou.
Veja no site do MP:
– Mês Nacional do Júri: denúncias oferecidas pelo MP levam a julgamento acusados de homicídios